1 de Junho de 2012

Weekends are for sissies

Já se sabe que o último ano de doutoramento é sempre a abrir, mas a verdade é que não estava bem preparada para este ritmo. O último fim de semana em que me lembro de não ter ido para o lab trabalhar - mas trabalhei em casa - foi quando caí de bicicleta, e apenas porque literalmente mal me podia mexer. Antes disso foi em meados de Abril, quando uns amigos me vieram visitar. O facto de poder tirar o dia de amanhã - ok, devo lá ir ao lab, mas só uma horinha -, quase que me aparece em visões como um oásis prometido que parecia não chegar nunca. E ainda bem, porque estava a atingir o limite de cansaço, com o meu cérebro quase a entrar em tilt. 

Amanhã durmo à vontade*.

*o que quer dizer que provavelmente irei acordar expontaneamente muito mais tarde do que habitualmente, isto é, tipo às 8h30.

Sou tão fofinha

Deixei a minha estagiária ir para casa mais cedo, em vez de a fazer esperar mais uma hora para que pudesse começar um ciclo de HPLC. Entretanto acabei de me aperceber que por acaso hoje até poderia sair mais cedo, isto, claro, se não tivesse de esperar mais uma hora por me ter oferecido para começar a cena por ela.

Pressão?

Acabo de saber, via Pipoca, da separação de Sara Barradas e José Raposo. E seguindo o link para a notícia, apenas uma questão se me levanta: o que é "não ter pressão para mim"?

Absolutamente maravilhoso - o que eu gosto deste blog!

My dear Miss:

My husband already has a stenographer who handles his work for him. And, as for "everything," I take care of that myself—and when I say everything I mean everything.


Dorothy Thompson

(Mrs. Sinclair Lewis to you.)


do Letters of Note, claro

28 de Maio de 2012

Being a paranymph

Finalmente percebi realmente o que e ser paranymph, e para que serve. Não e só para organizar homenagens, fazer livros e apresentações, e gerir doações e comprar os presentes. A função tornou-se finalmente clara para mim esta sexta, quando fui paranymph de um amigo meu. A grande função dos dois paranymphs e manter a pessoa acompanhada e entretida. Isto porque antes da defesa de doutoramento enfiam a pessoa numa sala de espera durante ai uns 20 minutos, sendo que uma pessoa estando nervosa e ansiosa poderão parecer umas cinco horas, pelo que a presença de duas pessoas amigas a dizer parvoíces e fazer companhia, poderá prevenir que a pessoa se passe da cabeça e se atire da janela abaixo durante o tempo de espera. No fundo, servem apenas para a pessoa não se sentir sozinha e não ter a tentação de fugir dali para fora.

p.s. estou sem acentos, só consigo corrigir o que aparece na correcção automática.

Então, como passaste o Verão na Holanda?

Enfiada no laboratório a fazer maratonas de trabalho que nem uma camela. Obrigadinha chefes por me terem dado uma deadline para Domingo `a noite.

p.s. 4 anos na Holanda são suficientes para saber que estes dias de quase 30 graus não são o inicio do Verão, são o Verão.

22 de Maio de 2012

Fuck yeah!

E aqui a underdog ganhou o prémio de Poster Presentation no Spring Symposium. Depois de tanto tempo a dar com a cabeça nas paredes, soube-me a ganhar um Oscar.

p.s. ainda bem que não me fui embora antes dos prémios como tinha pensado fazer...

18 de Maio de 2012

Os holandeses

Costumo dizer que os holandeses são o povo que nunca se desvia. Isto tem um significado simultaneamente simbólico e literal. São um povo incapaz de se desviar de uma regra ou de se adaptar, conforme a situação, mantendo-se teimosamente firmes na sua posição, mesmo que tudo indique que a devam mudar, mesmo fisicamente.
Por exemplo, no outro dia, depois de ter caído, e enquanto me dirigia a um médico de serviço a contorcer-me de dores, de repente a ciclovia de dois sentidos em que seguia tornou-se sentido único sem que me tivesse apercebido, e dou comigo a ir em contra-mão sem querer. Dado que era separada da estrada, precisava de andar mais uns metros até poder atravessar para o outro lado. Com espaço suficiente para duas bicicletas passarem, pensei que conseguiria rapidamente chegar à zona de travessia sem problemas, até que uma velhota resolveu ultrapassar, ficando de frente para mim. Ora, com uns 30 metros de separação ainda, pensei que desistisse da ultrapassagem vendo-me ali sem ter para onde ir, mas não, continuou, comigo parada, até chocar na minha roda da frente. E nessa altura começou a barafustar, provavelmente a desejar-me cancros e sífilis e a peste negra, que é como os holandeses insultam, como se, surpresa, não me tivesse visto e eu tivesse aterrado ali de repente, ou esperasse que, sei lá, como eu estava em contra-mão e não devia estar, me tivesse atirado para o canteiro ajardinado ao meu lado para que passasse. Naquela cabeça, regras são regras, e eu não devia estar ali, pelo que devia continuar nem que me passasse por cima, em vez de pensar que talvez fosse boa ideia esperar mais 30 segundos antes de ultrapassar, deixando-me passar e chegar à zona de travessia.
Da mesma forma, todos os dias deparo com uma situação peculiar. No caminho de casa para o trabalho, logo à saída da minha rua, tenho um cruzamento lixado, pelo que geralmente prefiro atravessar numa zona com melhor visibilidade numa passadeira. Regra geral, em ciclovias que atravessam estradas, os ciclistas têm prioridade, tal como têm os peões nas passadeiras, e os carros param mesmo. No entanto, se quando vou a pé todos os carros param, pelo contrário, estando de bicicleta, os carros não param para eu atravessar. E esta é a parte cómica: isto acontece se estiver parada com uma perna para cada lado do quadro, porque aí sou ciclista, mas no entanto já param se eu tiver as duas pernas para o mesmo lado, porque aí já sou uma peã a levar a bicicleta pela mão. E são pequenas coisas como estas que tão bem retratam este povo, mostrando que a tão afamada tolerância não passa mesmo de um mito.

Do scientists pray?

Dear Phyllis,

I will attempt to reply to your question as simply as I can. Here is my answer:

Scientists believe that every occurrence, including the affairs of human beings, is due to the laws of nature. Therefore a scientist cannot be inclined to believe that the course of events can be influenced by prayer, that is, by a supernaturally manifested wish.

However, we must concede that our actual knowledge of these forces is imperfect, so that in the end the belief in the existence of a final, ultimate spirit rests on a kind of faith. Such belief remains widespread even with the current achievements in science.

But also, everyone who is seriously involved in the pursuit of science becomes convinced that some spirit is manifest in the laws of the universe, one that is vastly superior to that of man. In this way the pursuit of science leads to a religious feeling of a special sort, which is surely quite different from the religiosity of someone more naive.

With cordial greetings,

your A. Einstein

 mais uma maravilhosa "Letter of Note"

17 de Maio de 2012

Adoro

A ver mais um dos péssimos guilty pleasures de programas de tv que vejo, aparece uma celebridade do Big Brother a querer comprar um vestido de noiva. A vendedora não conhece o programa ou o conceito, e pergunta às amigas que a acompanham do que se trata. Elas explicam que é um programa com câmaras a filmar o tempo todo, como se fosse tipo um big brother, e a tipa replica em surpresa: mas ela tem um irmão mais velho?

Opá, a sério, priceless, ri para caraças. E pronto, era mesmo só isto. Fico maravilhada com estas coisas.

Nova companhia


Estou a tomar conta do gato de uns amigos. Sempre tive gatos, adoro gatos, mas por isso mesmo sei que por vezes demoram a afeiçoar-se e dar confiança a pessoas novas que não conhecem. Mas este é um gato especial, super meigo, que depois de ter explorado a casa todinha, e de se ter escondido de início, sem eu forçar nada de repente começou com ronrons e pedidos de festas e tudo, muito mimo que não esperava tão cedo de todo.

O primeiro dia correu muito bem, vamos lá a ver os seguintes. Mas é mesmo lindão, não é?

16 de Maio de 2012

Falar cedo de mais, sou uma pessoa de sorte

Depois daquele elogio à minha nova aluna, logo a seguir ela ficou doente. Um dia, dois dias, três dias, uma semana, ela a dizer que estava mal do estômago, e eu a pensar numa virose marada, ela a vomitar-se feita doida, coisa incontrolável, impossível trabalhar mesmo, e depois mais um dia, dois dias, e eu já a pensar que tinha tipo o ébola, e finalmente pergunto, uma semana e tal depois, e afinal são só dores de estômago, não há virose, nem enjôos, nem vómitos, só dores, e surpresa, precisa de mais um dia ou dois dias, de modo que só pode voltar ao fim de duas semanas inteiras de folga, isto claro, se lhe deixar de doer o estômago.  

E eu para aqui, a ir trabalhar toda partida, a enfardar ibuprofenos como se não houvesse amanhã, porque os prazos não esperam, mesmo quando nos deixam na mão.

14 de Maio de 2012

Shit happens


Finalmente, passados dois dias, já me consigo mexer. Devagarinho, mas consigo. Sim, tive um fim de semana espectacular.

11 de Maio de 2012

Só vi um episódio, mas estou agarrada

Toda a gente sabe do meu fascínio por coisas incrivelmente más, que de tão más são boas. O último vício é um novo programa de qualidade do TLC, que através do Say Yes to the Dress já me oferecia momentos de estupefacção ao perceber que existia pelo menos uma pessoa no mundo a querer casar com algumas daquelas energúmenas, mas que agora conseguiu superar-se com o My Big Fat American Gipsy Wedding, o suprassumo do kitsh, pirosice e mau gosto no geral. Como é difícil explicar por palavras, deixo  apenas uma imagem que deverá valer por tudo:


Absolutamente maravilhoso. A Barbie cintilante é uma minimalista ao pé disto.

9 de Maio de 2012

WANTED


Dica da Maria Valente, olhem o conjuntinho maravilha aqui.

Sou uma visionária, mesmo.

I'm so self centered, oh my god!

Parece que hoje falei na rádio, mas esqueci-me de ouvir.

Uma amiga (e o meu pai, que não conta) disseram-me que não foi assim tão mau.

8 de Maio de 2012

Nem sei que título hei-de dar a isto


Em compensação o Marc Jacobs não só não se esqueceu das cuecas, como fez questão de as mostrar, esquecendo-se antes das calças.

Nunca serei uma verdadeira féchionista

Anja Rubik, daqui

É que olho para estas fotos, e a primeira coisa que penso ao ver aquela anca alienígena exposta é: então e cuecas, não?

(já sabia que a badalhoquice era trendy em certos meios, mas ao menos podiam disfarçar um bocado)

6 de Maio de 2012

(de)Motivator


Para colar na porta do frigorífico.

Zara, is that you?

Hoje entrei numa Zara, passados meses, para fazer uma devolução. As primeiras três peças para que olhei e em que peguei para ver o preço, custavam todas 99.99€. Larguei de imediato. É impressão minha, ou a Zara decuplicou os preços nos últimos anos?

Coisas surreais

Receber uma encomenda em casa, abrir, e pensar: eu não me lembro de ter encomendado isto, apesar de já ter pensado comprar. E por momentos pensar: oh meu deus, estou maluca, esclerosada, com Alzheimer, ou ando a encomendar coisas em sonâmbulo e não sei de nada. E logo ir aos sites em que se fez encomendas recentemente e procurar o histórico, para ter a certeza de que não estava mesmo maluca, e confirma-se, nada, nicles, rien, nem sinal de tal compra. Pesquisa no mail, e finalmente lá encontro uma prova: uma encomenda de há mais de um ano, e que, por não ter chegado em tempo normal, me tinha sido inclusivamente reembolsada, sem que eu nunca mais tivesse pensado nisso. Um ano depois, chega-me a casa. De borla. Go figure.

Living la vida loca

Uma pessoa percebe que anda com uma vida social particularmente empolgante quando, ao regressar de um jantar em casa de amigos que deu para "tarde", e ao fazer gincana ao longo de toda a Breestraat para não acertar em nenhum dos quatrocentos estudantes bêbedos que deambulam no meio da estrada, pensa de si para si: "bolas, já nem me lembrava que isto era sempre assim ao fim de semana". 
E depois chega a casa e é uma da manhã.

4 de Maio de 2012

Resumindo, é isto



A ironia é absolutamente deliciosa.

Mas as pessoas ouvem mesmo o que dizem?

Agora a sério, as pessoas estão indignadas não porque a Rita Pereira tenha aparecido nua, o que aqui há não tantos anos seria sim uma escandaleira, mas, curiosamente, por ela não ter aparecido nua. Pelo que tenho visto escrito por aí e por aqui, que as fotos são uma vergonha, uma ofensa a quem ansiosamente esperava, as pessoas em geral e homens em particular acham mesmo que a Rita Pereira lhes deve alguma coisa, neste caso, uma aparição nua. E mais, não se inibem de barafustar em voz alta, sem qualquer pudor, como crianças birrentas a quem tiraram o chupa. Isto é de um ridículo tal que só dá mesmo para rir. A Rita não lhes deve absolutamente nada. Não sei se sabem, ou se se lembram, mas a Rita, "apesar" de ser do sexo feminino, não é um objecto, é um ser humano livre e auto-determinado, que mostra aquilo que quiser mostrar, quando e a quem quiser mostrar, sob que condições quiser mostrar, não tendo de se sentir obrigada a escancarar-se só para satisfazer os caprichos a uma horda de taradinhos babões, a quem povoa as fantasias, desejosos de se masturbar à sua custa. Mesmo que tenha posado para a Playboy. As fotos não são uma "vergonha", vergonha é gente adulta se sentir de facto defraudada no direito que acha que tem de conhecer a nudez de outrem. Vergonha é homens feitos infantilmente se queixarem que "ah, mas queríamos ver". Ó minha gente, a sério, mas que idade têm? Cresçam, meninos. São só mamas.

3 de Maio de 2012

"Eu vi um livro de Saramago a escrever-se sozinho."


in Anatomia de um golpe, por Pedro Santos Guerreiro


Aleluia irmão!

A minha nova estagiária é uma máquina, trabalhadora, motivada, esperta, confiante, extremamente observadora, e com iniciativa. Finalmente alguém que desde o primeiro dia parece perceber o que está a fazer e porquê, que leu os artigos que lhe mandei, e que logo após o primeiro dia de trabalho comigo tomou a iniciativa de sugerir repetir sozinha no dia seguinte, tendo passado a prova com distinção. Claro que ajuda o facto de ter tido um curso prático comigo no ano passado, onde aprendeu os rudimentos do que eu faço, e se ter candidatado directamente a estágio comigo por ter gostado do tema. Nada como pessoas que sabem o que querem e se candidatam a estágios que efectivamente lhes interessam, em vez de quem vai ao calhas só para completar os créditos obrigatórios.

A ausência de mamilos

A contar pela indignação/desilusão nacional pelas fotos da estrela de capa da nova playboy, uma pessoa quase fica a pensar que se tratava aí da Scarlett Johansson. Seriously, a Rita "estrábica" Pereira, who cares?

100 pontos para a casa

Leiden, Haarlemmerstraat, 03/05/12

Será que na H&M andam a ler o meu blog?